[Este é o 4º de 5 devocionais sobre o tema da Confederação Nacional de Mocidade para o quadriênio 2022-2026, "Cartas de Cristo"]
Quando penso na vida digna dos que foram chamados "Cartas de Cristo", aquela vida que faz justiça à vocação cristã e resplandece a luz divina para glória de Cristo e o bem dos homens, quase sempre lembro do Salmo 1 e do que ele me ensinou sobre a dinâmica do Evangelho.
Explico. Eu costumava ter ⎯ e, em partes, ainda tenho ⎯ dificuldades ao ler textos que falavam de uma vida ideal que parecia muito distante da minha.
Bem-aventurado o homem
que não anda no conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Não é fácil estar no mundo sem ser do mundo e, ao mesmo tempo, sem abandoná-lo. Vez ou outra nos vemos pensando como este século, falando sua linguagem, imitando seus hábitos, vivendo sua vida. Mais difícil ainda é a imagem dos versos 2 e 3:
Antes, o seu prazer está na lei do Senhor,
e na sua lei medita de dia e de noite.
Ele é como árvore
plantada junto a corrente de águas,
que, no devido tempo, dá o seu fruto,
e cuja folhagem não murcha;
e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.
Não sei você, mas eu sempre li esses textos constrangido. Repito: eu me sentia muitíssimo longe, infinitamente longe dessa imagem (ainda me sinto, claro). Foi quando me dei conta: é isso mesmo. É assim que esses textos devem ser lidos. Pelo menos, é assim que devemos olhar primeiramente para eles.
O primeiro movimento do Evangelho são as más notícias: Deus é santo e seu padrão é inatingível. O Santo Senhor, por meio de sua santa palavra chama seu povo para ser santo, perfeito. O padrão é alto, altíssimo, pois o padrão é o próprio Deus, que é "Santo, Santo, Santo". E Ele não abaixa a régua, pois não é um professor interessado em passar alunos de ano.
"... pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3.23). Aprendi com um professor do seminário que uma possível tradução para essa palavra "carecem" (ὑστεροῦνται), é "fall short", ficar aquém. Em inglês, a expressão costuma ser usada, por exemplo, parar falar de um aluno que não atingiu a média na escola. Ele não chegou lá, ficou aquém, abaixo do padrão.
Nós nunca alcançaremos o padrão. Esse é justamente o papel da Lei do Senhor, e esse é o papel de textos como o Salmo 1: antes de mais nada, nos lembrar que aquele homem bem-aventurado não somos nós.
Então não existe ninguém assim? Claro que existe. O Senhor Jesus. Esse é o segundo movimento do Evangelho, a segunda coisa que me vem à mente quando leio um texto como o Salmo 1: Jesus Cristo, e somente Ele, sempre será o retrato bíblico do homem ideal. Não veja você nesses textos, por favor. Veja, primeiro, Jesus. Isso humilha, lança o orgulho ao chão, põe as coisas no devido lugar.
Mas o Evangelho é boa notícia. E a boa notícia é que o Homem Bem-Aventurado morreu por miseráveis para lhes dar sua bem-aventurança. Em Cristo, e só n'Ele, somos bem-aventurados diante de Deus. Em Cristo, o Pai nos olha e vê o homem do Salmo 1, limpo, puro, perfeito. É o que gloriosamente chamamos de justificação.
Por fim, o último movimento do Evangelho: ele nos tira os olhos do padrão inalcançável da Lei e nos lembra que só Cristo pôde cumpri-la; mas, então, o Espírito nos devolve à Lei, ao Padrão, para, agora sim, regenerados, com um novo coração, uma nova natureza, buscar aquilo que antes era impossível. E não que agora seja possível plenamente, mas é possível realmente. É possível viver uma vida mais digna da nossa vocação, que brilhe mais a luz divina, que glorifique mais a Cristo, e que abençoe mais os homens.
- Misael Pulhes
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