Nossa História

BREVE HISTÓRICO DA
MOCIDADE PRESBITERIANA DO BRASIL

No início da década de 30 os jovens das centenas de igrejas presbiterianas do Brasil já estavam se organizando sob vários nomes, como por exemplo: Sociedade de Jovens, Sociedade Heróis da Fé, Sociedade Esforço Cristão, etc. A primeira União de Mocidade Presbiteriana a ser organizada foi a da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, no dia 28 de agosto de 1934. Em sua reunião de 1936 o Supremo Concilio então recomendou que “as igrejas locais, pelos respectivos Conselhos, criassem as Uniões de Mocidade Presbiteriana, apoiando assim o nome escolhido pela UMP Rio. Por isso contamos a idade da UMP a partir daquela resolução, tomada em julho de 1936.

Em 1938 o Supremo Concílio, reunido em Fortaleza-CE, entendeu que os jovens presbiterianos careciam de maior carinho, cuidado e atenção por parte dos ministros (em nível nacional). Assim criou a Secretaria Geral da Mocidade, nomeando para Secretário o Rev. Benjamin Moraes.

Em 1946 as demais denominações evangélicas no Brasil já estavam se organizando em nível nacional. A partir de sólidas e animadoras informações do Secretário Geral, o Supremo Concílio reconheceu que estava no tempo de também os jovens presbiterianos terem a sua organização nacional. No Instituto Presbiteriano Álvaro Reis - INPAR, em fevereiro (1946), foi realizado o Primeiro Congresso Nacional da Mocidade Presbiteriana, e organizada a Confederação da Mocidade Presbiteriana (CMP), hoje com o nome de Confederação Nacional da Mocidade (CNM). O primeiro presidente da Confederação foi o jovem Tércio Epêneto Emerique, mais tarde ordenado pastor.

Foram 14 anos de atividades intensas. O segundo congresso foi realizado na cidade do Recife (1949), sendo eleito presidente da Confederação o jovem Waldo Lenz César. O terceiro em Lavras (1952), presidente eleito: Guaracy Maranhão. O quarto congresso aconteceu na cidade do Salvador (1956). Um dos maiores já realizados. Foi eleito presidente João Moreira Coelho, mas havendo se ausentado do país pouco tempo depois, assumiu a presidência o Joãozinho Thomaz de Almeida. O quinto e último congresso dessa primeira fase foi realizado em Presidente Soares, com a presença de uma grande delegação de jovens da Igreja Presbiteriana Independente, pois era o ano do centenário do presbiterianismo no Brasil.

Em 1960, quando a mocidade estava vivendo seus melhores dias, com a Confederação instalada em escritório próprio (salas cedidas pela Igreja Presbiteriana da Lapa – São Paulo-SP), com o Secretário Geral trabalhando na sala ao lado, com o presidente, uma secretária e o diretor do jornal Mocidade, os três dedicando tempo integral, os jovens foram surpreendidos com uma decisão do Supremo Concílio (mais precisamente da sua Comissão Executiva), extinguido a Confederação e o jornal.

Essa decisão se deveu em parte, às dificuldades de relacionamento entre a diretoria da Confederação e a direção da Igreja. Detalhes desses desencontros podem ser encontrados no livro “Eu faço parte desta História”, autores: Hélerson Silva, Enos Moura e Mônica Moraes, 2002, edição da Confederação Nacional da Mocidade.

Vinte e seis anos a mocidade presbiteriana passou sem o seu órgão maior.

Nesse período foram criadas as Confederações Sinodais e alguns eventos como o ICC (Intercâmbio de Confederações Conjugadas) e os TLs (Treinamento de Líderes). Esses iam preenchendo um pouco a lacuna de um órgão nacional. A Secretaria Geral da Mocidade promoveu encontros regionais e inúmeros pedidos foram endereçados ao Supremo Concílio no sentido que fosse reorganizada a Confederação da Mocidade Presbiteriana.

Mesmo sem Confederação Nacional, os congressos passaram a acontecer sob a direção do Secretário Geral. O sexto congresso aconteceu em Campinas – janeiro de 1964. O sétimo congresso nacional foi realizado em Governador Valadares (1970). Fato marcante ali foi a aprovação do hino nacional da mocidade presbiteriana do Brasil “Jovens Testemunhas”, de autoria do jovem Moacyr Bastos, da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Manteve-se o moto oficial, de autoria do Presb. Canuto Regis, moto esse que foi escrito para a UMP Rio e cedido à Confederação da Mocidade Presbiteriana, logo no seu início. 

O oitavo congresso foi realizado na cidade de Maceió (1974) e o nono em Belo Horizonte (1978). Nos arquivos da Mocidade não existem registros nem fotos a respeito desses congressos.

Por este tempo várias tentativas, apelos, artigos, pedidos por parte dos jovens eram endereçados ao Supremo Concílio, clamavam pela volta da Confederação Nacional. Mas ainda demoraria muito para que os jovens fossem atendidos nesse pleito.

Em 1978 o Supremo Concílio, concordando com a proposta e os argumentos do Secretário Geral – Rev. Alceu David Cunha, atendeu aos insistentes apelos. Todavia, a Confederação da forma como foi reorganizada não atendia aos anseios dos jovens. Deveria ser presidida pelo Secretário Geral e isto era muito diferente do que os jovens sonhavam. Tal organização não prosperou.

Mesmo sem um órgão de coordenação nacional a chama da juventude presbiteriana não apagou, pois, ao redor de 1985 existiam 23 Confederações Sinodais organizadas, 90 Federações Presbiteriais, 2 mil UMPs e cerca de 55 mil jovens unionistas.

Finalmente, em 1986, sob a coordenação do Rev. Cleómines Anacleto de Figueiredo, então Secretário Geral, foi reorganizada a Confederação Nacional da Mocidade (antiga Confederação da Mocidade Presbiteriana) durante o décimo congresso (Rio de Janeiro), realizado nos moldes dos primeiros anos. Registre-se que os jovens do Estado do Rio de Janeiro, seguindo a tradição de estarem sempre na vanguarda das atividades nacionais da UMP, muito contribuíram para esse décimo congresso, assim como para a ressurreição do órgão nacional.

O presidente eleito para essa nova fase foi o mineiro Nailton Cotrin Heringer. Uma notícia publicada no jornal “Brasil Presbiteriano” resume bem o entusiasmo dessa época: “A Mocidade Presbiteriana reergue-se para conquistar o seu espaço na Igreja Presbiteriana do Brasil, objetivando que a UMP funcione não como um clube ou mocidade que exista só para segurar o jovem na igreja. Não como um lugar para apenas assistirem-se programas interessantes e, sim, como uma sociedade interna da igreja para promover o Evangelho”. (BP, julho de 1986).

Já foi dito que o Intercâmbio de Confederações Conjugadas crescia firme na região do Rio de Janeiro. É desse período o nascimento de outros fortes eventos tais como o Desenvolíder e o Projeto UMP São Paulo.

Um grande desafio dessa gestão foi a comemoração dos 50 anos da UMP. O jornal Brasil Presbiteriano registrou: “No sábado 07 de junho (1986), tarde de sol ameno, ônibus e carros vindos de toda grande São Paulo, de cidades do interior e dos Estados do Centro Sul, foram despejando nos pátios do Anhembi, em São Paulo, uma juventude alegre e cantante, que lotou literalmente o enorme auditório. Era a mocidade presbiteriana, que vinha comemorar seu Jubileu de Ouro de organização. Fazia 50 anos que o Supremo Concílio estruturou o trabalho jovem da IPB, organizando as UMPs e Federações e 40 anos que fora criada a Confederação Nacional a Mocidade.” (BP julho de 1986 pp. 8 e 9).

O Mackenzie São Paulo hospedou o décimo primeiro congresso nacional da mocidade presbiteriana, em janeiro de 1990. Foi eleita presidente a fluminense Eloísa Helena Chagas Monteiro Alves.

Foi dada ênfase à organização e reorganização de Confederações Sinodais, visita às cinco regiões do Brasil, realização de mais um Encontro Nacional de Líderes. As Secretarias de Atividades começaram a atuar efetivamente, inclusive lembrando os primeiros anos da Nacional (décadas de 40 e 50), quando era bem diversificada a atuação da Confederação junto às Federações e UMPs, agora bem mais prática a comunicação, através das Sinodais.

Em Brasília aconteceu o décimo segundo congresso (fevereiro de 1994), sendo eleito ali o paulista Lúcio Ferreira Lima. O Sistema de Vice-presidências Regionais foi definitivamente consolidado contando agora com representantes de todas as cinco regiões do Brasil.

O Projeto UMP São Paulo tanto na sua versão capital como interior, funcionou bem nesse período. Os Encontros Regionais de Treinamento de Líderes (ERTL) também aconteceram ano após ano.

As comemorações dos 50 anos da CNM (1996) e 60 anos da UMP, aconteceram no Rio de Janeiro, numa homenagem ao berço da Confederação Nacional. Um encontro dos veteranos da UMP contando com a presença do último presidente da primeira fase – Rev. Josué Mello e culto solene na Catedral marcaram tais comemorações. Em Manaus, no mês de maio, foi realizado o culto de ação de graças pelo 60º aniversário da UMP Nacional.

Um concurso foi realizado para a escolha de uma música que contivesse o tema do quadriênio: “Jovens Segundo o Coração de Deus”. Um CD foi produzido pela Secretaria de Música contendo as doze melhores músicas, promoção inédita da Confederação Nacional.

Uma atividade sui generis foi a atividade do Projeto Tocha do Evangelho. Partindo do símbolo da mocidade presbiteriana, a tocha, o jovem Waldir Pereira de Oliveira, presidente da Sinodal Leste de São Paulo, programou uma caminhada em direção ao XIII Congresso Nacional. Um grupo de jovens fez o trajeto de três mil quilômetros – Rio/Recife, conduzindo uma tocha em tamanho gigante. Uma equipe constante seguiu de ônibus, e ao longo da estrada jovens das UMPs e federações se revezavam com a tocha nas mãos. Nos centros maiores o grupo parava e a equipe local já havia preparado um culto evangelístico. A caravana saiu da Igreja do Rio de Janeiro na manhã do dia primeiro de janeiro de 1998, chegando ao Recife no dia treze, poucos minutos antes da solenidade de abertura do congresso.

No Recife, durante o congresso, foi eleito o fluminense Johnderson Nogueira de Carvalho. Alguns destaques desse período: Lançamento da terceira fase da Revista da Mocidade Presbiteriana (1999), criação do site da Nacional e a realização do Segundo Encontro Nacional da Mocidade Presbiteriana (Janeiro de 2000, em Guarapari). Sem interrupção continuaram os ERTLs – Encontros Regionais de Treinamento de Líderes.

No ano de 2002 pela primeira vez foi realizado um Congresso Nacional (o décimo quarto), na Região Sul (Curitiba-PR). Eleito Presidente o mineiro Júlio César Mendes Pereira. Foi lançada em Curitiba a primeira edição do Livro “Eu Faço Parte Desta História”, tendo como autores Hélerson Silva, Enos Moura e Mônica Moraes, uma edição da própria Confederação Nacional. Destaques do período 2002/2006: Workshop Nacional de Música (Rio Bonito/RJ), e a manutenção dos encontros regionais de treinamento. Comemoração nos quatro cantos do Brasil do Dia Nacional do Jovem Presbiteriano.

O décimo quinto congresso surpreendeu pela riqueza da hospedagem: Estância Hidromineral de Caldas Novas-GO, em janeiro de 2006. O Congresso recebeu a juventude presbiteriana do Brasil proporcionando condições de um evento bem concorrido e com alguns seminários que cativaram os participantes. Pela primeira vez na história da Confederação Nacional (desde 1946), houve a reeleição de um presidente: Júlio César Mendes Pereira.

Encontro Nacional da Mocidade Presbiteriana (ENMP), em Domingos Martins - ES. Comemoração do 70º aniversário da UMP na IP do Rio de Janeiro (maio de 2006), com a presença do Presb. Guaracy Maranhão (Presidente da Nacional de 1952 a 1956) e de Lucy Johnstone (Secretária da Nacional de 1949 a 1952) foram os principais eventos do período.

Em cada fim de gestão existe aquela expectativa quanto ao congresso. A cidade escolhida para o décimo sexto foi o Rio de Janeiro, sempre lembrando que ali nasceu a primeira UMP do Brasil (UMP Rio – 1934) e a Confederação da Mocidade Presbiteriana (hoje Confederação Nacional da Mocidade), em 1946.

O Congresso registrou o maior número de visitantes de toda a história e um expressivo número de delegados. De maneira tranquila, embora cansativa, para a eleição da nova diretoria foi usado um sistema eletrônico, tendo-se o resultado imediatamente após cada escrutínio. Mesmo assim o pleito atravessou a madrugada e os congressistas saíram do plenário diretamente para tomar o café da manhã nos respectivos hotéis onde estavam hospedados. Momento emocionante foi a entrega de títulos de “Amigo da Mocidade”. 

Foi eleito presidente o capixaba Anderson Pimentel Meneguce. Podemos afirmar que uma nova era para a Mocidade Presbiteriana teve início a partir desse congresso no Rio de Janeiro. 

De 2010 a 2014 a Confederação Nacional da Mocidade contabilizou grandes e inéditos feitos. O tema para o quadriênio foi “Sou testemunha” e se usou as quatro frases do moto para estudos respectivos a cada ano. Marcou presença com toda a Diretoria na reunião do Supremo Concílio, em Curitiba (julho de 2010). Realizou o “UMP em Ação” atendendo aos vitimados pelas chuvas em Pernambuco e Alagoas, em parceria com a Junta de Missões Nacionais e Conselho de Ação Social (CAS/IPB), realizou a Conferência IPB para Jovens em parceria com o Centro de Pós Graduação Andrew Jumper, viagens missionárias internacionais (Peru, Moçambique e Bolívia). Realizou dois Encontros Regionais ao longo da gestão em cada Região do País, possibilitando uma maior comunhão com os jovens, fortalecendo e consolidando o trabalho da UMP por todo Brasil.

Certamente essa foi a gestão que mais organizou e reorganizou Confederações Sinodais. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, toda a Diretoria e grande incentivo do Secretário Geral, mobilizaram-se sobremaneira no sentido de dar novo ânimo para que as Sinodais funcionassem de fato e reestruturaram o trabalho no Brasil. Ao total foram 25 Confederações Sinodais frutos deste trabalho.

As celebrações de 75 anos da Mocidade Presbiteriana, realizadas pela Confederação na cidade de Barueri (São Paulo), marcaram de forma indelével a gratidão a Deus por essa belíssima história que escrevemos e o compromisso da Mocidade Presbiteriana com a Missão Integral da Igreja: “Anunciar o Reino de Deus, Educar para a Vivência Cristã” e “Assistir o ser humano em todas as suas necessidades”.

Em Palmas-TO foi realizado em janeiro de 2014 o décimo sétimo congresso. As preleções diárias foram ministradas pelo teólogo Dr. René Padilla, convidado vindo diretamente da Argentina para participar do evento. Mesa redonda com o Rev. Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio da IPB foi um momento de grande significado para a aproximação cada vez maior do jovem com a direção da Igreja.

Em uma das eleições mais rápidas e tranquilas de toda a história da Nacional, obteve-se o seguinte resultado para dirigirem a CNM, na gestão de 2014-2018: Presidente: Presb. José B. da Hora Júnior (São Luís - MA), Vices Presidentes: Norte – Presb. Fábio Barcelos (Xinguara-PA), Nordeste – Matheus Pereira de Souza (Salvador-BA), Centro Oeste – Ana Paula Barbosa Rocha (Cuiabá-MT), Sudeste – Lucas Gouvêa Chagas (Patrocínio-MG) e Sul – Waldemar Moreira Filho (Guarapuava-PR); Secretário Executivo: Josafá C. Lourenço (São Mateus – ES), Primeiro Secretário: Maciel Oliveira (Recife – PE), Segunda Secretária: Érika Pavão (Cacoal – RO) e Tesoureiro: Daniel de Paula Neves (Curitiba – PR) (Até 2015). Renata G. G. Roza (2015/2018), de Barra Mansa-RJ.

No Sistema Presbiteriano as Confederações Nacionais têm como elo com o Supremo Concílio os Secretários Nacionais, com mandatos de quatro anos, podendo ser renovados. Ao longo desses 78 anos foram, pela ordem, Secretários Nacionais da Mocidade: Rev. Benjamin Morais, Rev. Gutenberg de Campos, Missionária Billy Gammon, Rev. Tércio Epêneto Emerique, Rev. Teóphilo Carnier, Rev. Sebastião Machado, Rev. Osmar Teixeira Serra, Rev. Edésio de Oliveira Chequer, Rev. Alceu Davi Cunha, Rev. Ludgero Morais, Rev. Cleômines Anacleto de Figueiredo, Rev. George Alberto Canelhas, Rev. Valter Pereira de Melo, Rev. Evandro Luiz da Silva, Rev. Enos Moura, Rev. Honório Theodoro Neto, Rev. Martorelli Dantas, Rev. Walcyr Gonçalves, Presb. Renato José Piragibe e Presb. Alexandre Henrique Morais de Almeida. Muito mais se pode dizer a respeito da História da Mocidade Presbiteriana do Brasil. 

Parafraseando o livro de Reis, pode-se afirmar: “Quanto aos demais atos da Mocidade Presbiteriana do Brasil, porventura não serão escritos nos livros específicos?” (I Reis 22.39).

Ao longo dos seus oitenta anos de História, os jovens presbiterianos permanecem “alegres na esperança, fortes na fé, dedicados no amor, unidos no trabalho”.


Enos Pai