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Carteiros calados

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[Este é o último de 5 devocionais sobre o tema da Confederação Nacional de Mocidade para o quadriênio 2022-2026, "Cartas de Cristo"]

Uma das músicas que mais marcou a época da mina conversão foi Cartão Postal, da mineira Lorena Chaves.

Ela começa assim:

Cartão postal, carta viva, boa nova do amor
Vida real te coloco como um selo em mim
Pra outro ler, letra grande escancarada janela
Sob os meus pés as sandálias que gastei ao seguir


Tem ou não tudo a ver com o tema dessa nossa série de reflexões?

O início da minha caminhada me ensinou a importância das palavras. Evangelismo é proclamação; é também conversa, diálogo. Enfim, evangelismo é palavra.

Demorei um pouquinho mais a aprender a importância do testemunho. Testemunho não salva ninguém, mas também "fala". É um selo, um cartão postal, que o mundo lê, buscando verdade, coerência e amor.

Conforme envelheço, tenho aprendido, bem devagar, a importância do silêncio. O silêncio é um duro aprendizado, pois é produto e muita humildade. A palavra, tantas vezes, é nosso meio de imposição e defesa do ego. O chamado a falar não é o chamado a falar demais, a usar palavras em demasia. Eis o nono mandamento a gritar em poucas palavras o cuidado que se deve ter com a fala.

Demora-se muito aprendendo que não somos aqueles que têm a palavra perfeita, na hora ideal, para curar, ou salvar. Primeiro porque, às vezes, o testemunho cristão adequado é ouvir o outro quieto. É interessante pensar que talvez os conselheiros cristãos fizessem melhor seu papel com algumas (ou muitas) palavras a menos. A palavra lacônica é a que se diz não de súbito, no ímpeto de nossa afobação, mas depois de reflexão e oração.

O segundo motivo é porque, no fim das contas, a palavra que se quer dizer, o bilhete que queremos ter sempre na mala à disposição é a palavra de outra Pessoa. De modo que nosso trabalho é não sujar as palavras dEle com as nossas, não confundir as coisas.

É um duríssimo aprendizado, mas que vale a pena. Porque esse é o nosso chamado: sermos cartas vivas. Ou, para usar novamente a música do início do texto, nossa vocação é também a de carteiros calados...

... Pois a paz que eu carrego é uma carta que não fala nada, nada de mim. 


- Misael Pulhes

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